Ghost - 2010 - Opus Eponymous



A sinistra banda sueca Ghost e seu já aclamado “Opus Eponymous” estão fazendo um rebuliço ao redor do mundo, já que teoricamente seus membros são desconhecidos, tanto que não consta nem o nome deles em qualquer material de divulgação, além é claro, do visual produzido, que fica impossivel saber de quem se trata, o vocalista, por exemplo, se veste como uma espécie de papa satânico (o que não deixa de ser verdade?). Más línguas afirmam que o pessoal do Candlemass Repugnant está por trás de tudo, o que ainda não está confirmado.

Independente disso, ouvir “Opus Eponymous” te transporta para um mundo paralelo, envolto em Hard Rock, Heavy Metal, Doom Metal e muita psicodelia, com altas influências dos anos 70, além de doses bem fortes de satanismo em suas letras. “Deus Culpa” abre o trabalho ao som de um órgão, já deixando o clima bem pesado para “Con Clavi Con Dio”, que inicia com o baixo na cara e velocidade e peso absurdo. A seguir, dois grandes clássicos do álbum: “Ritual” e “Elizabeth”.


Impossivel não sentir algo escutando estas duas faixas, mostrando que o Metal ainda tem salvação... O refrão de “Ritual” gruda na sua cabeça de tal forma que se torna impossivel esquecê-la, ao passo que “Elizabeth”, influenciada diretamente por Mercyful Fate, fala sobre a Condessa Elisabeth Bathory. O andamento da música é hipnótico, com riffs “circulares” e muito peso.

Há ainda outras faixas que não podem deixar de ser citadas, como “Satan Prayer”, “Prime Mover” e “Genesis”, que carregam todos os elementos para fazer de “Opus Eponymous” um clássico da nossa geração.

A instrumental “Deus Culpa”, tocada num órgão de igreja, serve para aclimatar o ouvinte, tal como a antífona de entrada numa missa. Mas o baixão distorcido da introdução de “Con Clavi Con Dio” mostra que a coisa não é nada cristã. Quando Papa Emeritus começa a cantar, então fica evidente que o sexteto está a serviço do coisa-ruim. As principais marcas do som do Ghost já dão as caras por aqui: guitarras com afinação baixa, muito reverb nos solos, baixo com drive a la Lemmy Kilmister (talvez para compensar uma bateria às vezes pouco inspirada) e um vocalista que parece ter se embriagado na fonte de Eric Bloom do Blue Öyster Cult. Os backing vocals são puxados para o canto gregoriano (como se o coral da igreja estivesse possuído) e o típico órgão volta e meia reaparece no papel de teclado de ambiência.

Destaque à parte, as letras são ginasianas, tipo de coisa que aluno rebelde escreve no quadro-negro para matar do coração a professora de religião antes da aula. Não dá pra levar a sério - por isso mesmo, a diversão é garantida. Mas voltando ao disco, “Ritual” conta com um refrão que promete empolgar ao vivo. Primeiro sucesso do sexteto, “Elizabeth” foi lançada como single aperitivo antes de Opus Eponymous chegar às lojas, e é outra faixa que resume bem a proposta dos 'ghouls'. A frase “Devil's power is the greatest one” abre “Stand by Him” (onde o “Him” eu nem preciso dizer quem é, certo?). “Satan Prayer” foi o primeiro som que ouvi e até hoje é o meu predileto. Assim como as demais, tem um quê de humor subversivo, ideal para pregar peças nos amiguinhos crentes.

A reta final traz a trinca “Death Knell”, “Prime Mover” e a instrumental “Genesis”, que, pelo nome, talvez indique que o êxodo está por vir no próximo lançamento, que eu, sinceramente, espero que venha logo. E, como sonhar não custa nada, uma vinda da banda ao Brasil seria a perfeição. Apenas alguns anos depois do surgimento do Lordi, a Escandinávia mostra novamente ao mundo, com o Ghost, que teatro e rock and roll têm tudo a ver. A benção, Papa Emeritus!



Faixas

1. Deus Culpa
2. Con Clavi Con Dio
3. Ritual
4. Elizabeth
5. Stand by Him
6. Satan Prayer
7. Death Knell
8. Prime Mover
9. Genesis
10. Here Comes the Sun (cover de The Beatles , faixa bônus Japonesa)
 

Integrantes
Papa Emeritus I - Vocalista.
Nameless Ghoul [Alchemy fire symbol] - Guitarra solo.
Nameless Ghoul [Aether symbol] - Guitarra base.
Nameless Ghoul [Alchemy water symbol] - Baixo.
Nameless Ghoul [Alchemy air symbol] - Teclados.
Nameless Ghoul [Alchemy earth symbol] - Bateria
.
Gene Walter – produção
Simon Söderberg – gravação
Joakim Kärling – gravação (adicional)
Jaime Gomes Arellano – masterização, mixagem
Basilevs 254 – capa
A Ghoul Writer – composições



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senha: ghostbc.blogspot.com

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